TFD Digital: Como Modernizar o Tratamento Fora de Domicílio no Seu Município

O Tratamento Fora de Domicílio (TFD) é um direito do SUS e uma obrigação dos municípios. Descubra como a digitalização transforma a gestão de viagens de pacientes — do agendamento à prestação de contas.

Por Rodrígo Dell — Cofundador e CTO da CIVITRIA

Introdução Em milhares de municípios brasileiros, pacientes do SUS precisam se deslocar para outras cidades para acessar consultas especializadas, exames complexos, cirurgias e tratamentos contínuos como hemodiálise e quimioterapia. Esse deslocamento é garantido pelo Tratamento Fora de Domicílio (TFD) — um programa do SUS que obriga o município de origem a providenciar e custear o transporte do paciente. O problema é que a maioria dos municípios gerencia o TFD de forma completamente manual: agendamentos por caderno, comunicação por WhatsApp, comprovantes em papel e prestações de contas montadas à mão em planilhas. Esse cenário gera erros, atrasos, viagens duplicadas, pacientes esquecidos e documentação insuficiente para auditorias. A digitalização do TFD resolve cada um desses problemas. O Que É o TFD e Quem Tem Direito O Tratamento Fora de Domicílio está previsto na Portaria SAS/MS nº 55/1999 e garante ao paciente do SUS o direito ao transporte quando o município de residência não dispõe dos serviços de saúde necessários ao seu tratamento. O TFD cobre deslocamento intermunicipal e, em alguns casos, interestadual. Têm direito ao TFD os pacientes encaminhados por unidades do SUS cujo tratamento não é oferecido no município de residência: Consultas com especialistas; Exames de alta complexidade; Procedimentos cirúrgicos; Terapias contínuas — hemodiálise, quimioterapia e radioterapia; Reabilitação física. O município deve arcar com o transporte do paciente e, quando necessário, de um acompanhante, além de ajuda de custo para alimentação e pernoite nos casos de tratamento à distância. Os Problemas do TFD Manual A gestão por caderno e planilha falha em quatro frentes, todas com risco direto em auditorias do TCE e do Ministério da Saúde. Problema Consequência Agendamento fragmentado Sem visão consolidada das viagens, a coordenação consulta múltiplas fontes para saber quantos pacientes, quais destinos e quais veículos. Conflitos de horário, esquecimentos e duplicações tornam se inevitáveis. Alocação ineficiente de veículos É comum um veículo levar um ou dois pacientes a um destino enquanto outro faz a mesma rota no mesmo dia. A falta de agrupamento inteligente desperdiça combustível, tempo e pessoal. Ausência de rastreabilidade No manual, é quase impossível comprovar que a viagem aconteceu, qual rota foi usada, quantos pacientes foram transportados e quais custos ocorreram. Documentação insuficiente Montar manualmente identificação, justificativa clínica, comprovante, quilometragem, custo e assinatura para dezenas ou centenas de viagens por mês consome horas e ainda gera falhas. Como Digitalizar o TFD: O Fluxo com o MoveSUS A digitalização organiza a operação em cinco etapas encadeadas, do cadastro do paciente à prestação de contas. 1 Cadastro de pacientes Dados pessoais, diagnóstico ou tipo de tratamento, destino habitual e frequência. Tratamentos contínuos (ex.: hemodiálise) ganham agendas recorrentes automáticas — base de pacientes com o mês programado sem intervenção manual. 2 Agendamento digital Cada solicitação registra data, destino, horário e necessidades especiais (cadeirante, acompanhante, jejum). O sistema sugere agrupamento de destinos e horários compatíveis, consolidando a demanda. 3 Alocação de veículos e motoristas O coordenador aloca recursos vendo disponibilidade na data, motoristas escalados e o veículo mais adequado (nº de pacientes, acessibilidade e distância), gerando a escala de viagens. 4 Execução e registro O motorista registra saída, chegada, retorno e quilometragem; pacientes confirmam presença digitalmente. Registro completo e automático: horários, km, pacientes, motorista e veículo. 5 Relatórios e prestação de contas Ao fim do mês, o sistema gera os relatórios exigidos pelo Ministério da Saúde e pelo TCE: por paciente, custo, km por destino e comprovantes individuais. Benefícios Concretos da Digitalização do TFD Municípios que digitalizam a gestão de TFD com o MoveSUS reportam melhorias em múltiplas dimens…